Angela Merkel colocou só a cabecinha no telão para o completo alvoroço dos alemães a bordo do salão térreo do Club Transtlântico, em São Paulo. Excitados com a reeleição da chanceler conservadora — democrata-cristã como o nosso Eimael —, fizeram daquele reduto nos confins do Brooklin, sua Berlim regada a toda sorte de cerveja, salsichão e loiras de 1,80m.
Cachaçando, os representantes de entidades ligadas aos partidos debatiam o novo futuro do país e as alianças do partido de Merkel com os FDP — Freedom Democratic Party —, que ficaram em 3º, mas vão ter maioria no parlamento.
O idioma local no Transatlântico era ignorado por menos de 1% dos presentes — mais os serviçais; um garçom inclusive elogiava longamente os feitos de Hitler que, segundo ele, possibilitou a cura para a diarréia.
Ao pé do ouvido, pelo fone da tradução simultânea, soube-se que os alemães conhecem apenas um adjetivo: “interessante”. Outros são miseravelmente gagos e ainda outros contorcem-se em discursoso longuíssimos em língua pátria, que significam frases curtas entrecortadas por “é”, em português.
Mas nem tudo eram flores no vestido da alemã mais brasileira que aportou no Club. Havia também uma fenda no decote e olhos azuis na pele morena, que mudavam o Norte de todo o salão por onde passava. As mulheres e alguns mancebos estranhamente não notavam, distraídos com o telão e os debates.
A democracia é mesmo uma festa. Sem ser obrigados, 8 em cada 10 alemães foram às urnas para um voto indireto e outro genérico — no partido —, num país onde presidente é um desconhecido e quem manda é o chanceler. Votar é uma arte, governar não é preciso. E vice-versa.







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