Eis que bate na minha alargada caixa de emails um título que me trouxe reminiscências. Lacônico, o título da mensagem eletrônica dizia “Desumidificador”.
Tem dez dias que me mudei para uma casa menor, aliás um quarto, ainda em São Paulo por desconhecer o produto da Cappoia — sim, abri a mensagem. O tal produto me foi oferecido através do email geral da redação, onde aterrisam zilhares de spams com toda sorte de ‘enlarge your penis’.
Eu vivia feliz numa casa no Butantã, vizinho de uma floresta amistosa e simpática; lar de matracas, sabiás, cururus e curupiras, até que uma cachoeira resolveu instalar-se na parede da sala. Pelo lado de dentro. Uma cachoeira tímida, que mais parecia uma película d’água a escorrer permanentemente pela tinta antimofo, antifungos, anti-higiênica, mas nunca; nunca antiágua.
O passar dos dias deu mais confiança à cahoeira, que se mostrava com fortes intenções de inundar minha sala, e ela então trouxe uma amiga que escorreu pelo teto da cozinha e pingou por dias no chão e no braço da poltrona que demarcava o cantinho do computador.
Sem solução aparente, senão a de derrubar a casa e reconstruir; e sem disposição para esperar no relento até que o proprietário se dispusesse a fazê-lo, me mudei. E hoje, apenas hoje, quando imagino que as cachoeiras já tenham predominado no ambiente em que vivi cenas impagáveis como a do sabonete Dove, que as senhoras tanto gostaram, me aparece um produto desses.
Sobre os comentários, aliás, os recebo mais verbalmente do que escritos neste despropositado blog.
E, caso queiram saber, o Desumidificador da tal Cappoia se diz capaz de salvar móveis, roupas e alimentos: tudo o que perdi pro mofo na inundação lenta, gradual, mas não menos perversa que abriguei em minha ex-casa.







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