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nunca fui blogueiro, mas acho essa história de blog bacana. Quando crescer quero parar de trabalhar.

Crônicas

Pague pra ver

Num bar meio vazio, ao redor das esquinas onde as princesas valem ouro, chega-se perguntando da Brahma como quem pergunta da saúde de um amigo em comum. Em troca, o sorriso do garçom — amigo imediato e sincero — responde que esse é o caminho que leva à garrafa mais gelada escondida no fundo do freezer pra um bom final de noite.

Existe um quadrilátero em São Paulo onde a felicidade não rima com sexo por menos de uma porção generosa de um salário mínimo. Se não for a abonar diretamente o ato, é a cortejar ou adular qualquer fêmea que se disponha a um papo menos brega. Por ali qualquer caminho leva à carteira.

A Jaqueline deixa claro — bem claro, digo — que ainda financia o par de tetas e não abre mão; não abre negociação alguma por menos de cent’cinqüenta. Ela pronuncia com trema, a despeito das novas convenções luso-tupiniquins. A despeito dos olhares que mergulham nos seus brinquedinhos novos.

Mas diversão também tem rimas pobres naquelas bandas. Pobres pra quem sente solidão e sabe que dinheiro seria a tônica, ora ou outra, ao lado das garotas com decotes pouco menos assertivos: vitrines de um produto que não tem preço fixo como os da Jaqueline. Ali, do lado de dentro do bar, onde o caderninho disputa espaço no granito barato do balcão com o prato do espetinho entre o copo e a garrafa âmbar, as chances são diminutas, porque a medida é o constrangimento dos olhares; o preço é a etiqueta que labela a roupa. Seja a marca da moda, seja o embuste do momento.

A cocota da meia desfiada abraça o maço de cigarros do topo do catálogo e bate o calcanhar no meio-fio enquanto a lei anti-fumo não cai em desuso. Aqui, neste boteco solitário, as pequenas têm cabelos curtos, falam grave e têm cílios que são cercas eletrificadas.

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