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nunca fui blogueiro, mas acho essa história de blog bacana. Quando crescer quero parar de trabalhar.

Crônicas

2 Brahmas e 3 coxinhas

A esmerosa arte de sentar num boteco, desses sem grife, e tomar uma cerveja sozinho na companhia de uma coxinha de frango, exige um cálculo absolutamente preciso para que não se incorra em erros logísticos. E a coisa é assim mesmo, cheia de termos complexos e adjetivos com mais de três sílabas. Pro peão ficar esperto.

Pois veja a senhora, que se sentar à beira de um balcão de granito lavado semanalmente — quando muito esfregado com pano e água — e pedir uma Brahma e uma coxinha não é tão fácil. Mesmo se ao fundo puder observar as conversas mais sui generis de homens amarrotados de um dia fastidioso, e mulheres sentadas aos bandos em mesas rodeadas de cadeiras, falando mal do Gouveia, que xaveca todo mundo e, esses dias comeu a ascensorista. É uma arte, minha senhora.

Na primeira mordida da coxinha, que mesmo tendo sido pedida depois da cerveja, chega antes, você engole o seco da garganta e prepara para a ode do copo suado que se segue quase inexoravelmente de um ah! Note que a frase ao garçom é sempre ‘amigo: uma Brahma e uma coxinha’.

E então começa o processo em que, mordida após gole, ao final da coxinha restam 25% do conteúdo da garrafa. O que é muito para se beber sem comer nada e pouco para acompanhar outra coxinha. Então você pede outra coxinha, que fatalmente seca a garrafa e te deixa com uma porção do salgado na mão grande demais para uma última mordida.

Então pede outra cerveja.

Esta sim, acaba de vez com a coxinha e, numa batida de olho, te dá segurança para pedir mais um empanado de farinha com fiapos de frango — formato gota — sabendo que acabarão juntas, prazerosas como um júbilo orgástico de amor em cama de cetim.

Estratégico. É a conta da felicidade, por menos de quinze mangos.

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Discussão

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  1. Adoro botecos… acho que frenquentá-los é uma arte, eleva seu espírito a outro nível… Quando me formei em jornalismo fiz um pgm de rádio sobre a cultura de boteco.
    Bem… ultimamente não tenho frequentado, a não ser naquela fuga do trabalho intenso, vamos ao famoso Comeu Morreu ou ao Tutti…mas tem sido raro… quem sabe num desses dias não nos encontramos num boteco desse mundão mundinho.
    bjs

    Posted by Ana Mogadouro | November 13, 2009, 21:32