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nunca fui blogueiro, mas acho essa história de blog bacana. Quando crescer quero parar de trabalhar.

Crônicas

O mistério da fábrica de salsichas

Coisa que jamais farei, por exemplo, é visitar uma fábrica de salsichas. Estas, que são meu alimento dioturno na preguiça dos fins de noite. Às vezes permeando um pão francês, outras compondo um molho rápido e não menos acintoso à saúde.

Fábricas de salsichas são como a cozinha daquele boteco na esquina da quinze de novembro, perto da Bovespa, no centro de São Paulo. Lá, onde afogo algumas manhãs de sábado em um litro de suco natural de goiaba, feito na hora, também é feito um salgado de presunto e queijo cuja origem deve permanecer no mistério. No oculto. Assim como a origem das salsichas. Para o bem de uma boa refeição. Do ponto de vista do prazer: este tenso inimigo da saúde humana.

Pois ao caminhar pela estação Barra Funda, que é um legítimo depositório de esquisitices — bem mais do que jamais poderia ser uma fábrica de salsichas —, encontro-me sempre com uma porção de pães de queijo. Lindos e rechonchudos, estão sempre macios e quentinhos. Passe a hora que passar, eles estarão ali, saborosos e resignados, sempre prontos para ceder a qualquer mordida.

Pergunto, eu, sobre a origem destas maravilhas? Jamais. Ainda mais porque em tempo algum presenciei alguém fazendo a reposição dos dito-cujos. Quer dizer, a menos que alguém negue com força, os pães de queijo chegam tão logo chegam as atendentes e ali permanecem até o fim da jornada. Macios, precisos e quentinhos.

Se a vingança é um prato que se come frio, a ignorância é um que se come de olhos vendados.

E nada acompanha melhor um chá gelado, à espera do trem ou do metrô na Barra Funda, que uma porção de dois reais — que traz contados dezesseis pães de queijo — de uma dúvida fugaz: será que são de hoje?

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