Ela preparava um risoto, mas não era pelo trocadilho com riso — apesar de feliz, apesar da pobreza do trocadilho —, era porque o jantar era especial. Risoto de Shitake pra ser objetivo e preciso. Então o arroz foi para a panela com um pouco de cebola, dessas que vêm em vidro. Sim, minha avó a reprovaria caso fosse alguma candidata ao matrimônio.
Mas não havia eleição mesmo sendo ano de pleito. E na sequência do tempero, o vinho branco embebedou o arroz e arrastou as pequenas porções da cebola industrialmente picada para os cantos mais quentes da panela. Chovia para fora da cumbuca, chamava para si, o cheiro do condimento. Era madrudada de uma noite sem horas. Mas o jantar seria servido como se fora pontualmente agendado, rigorosamente como se fosse um encontro marcado.
Era um encontro marcado, mas não haviam regras postas. E a colher arrastou o arroz de um canto a outro da panela e misturou-se, pois, o sal a gosto. E não com menos gosto despejou a água e esperou ferver.
Sobre a tábua, os cogumelos perdiam os caules; um a um. E depois, com faca precisa, ela fatiava as partes polpudas em finas tiras tão compridas quanto a circunferência dos shitakes. Um vento frio esgueirou-se pela fresta da janela e lembrou que era início de inverno. Ao menos para a meteorologia; tempos outros eram aqueles.
E nem a fina brisa intimidou a fervura do cozido, que ganhou shoyu e mais um carinho com a colher. Ela cheirou o vapor. E arrepiou-lhe a pele o frio que já saia pela mesma fresta que entrou. É sempre verão para quem nasce em dezembro. Senão, ao menos para quem nasce em sagitário, há sempre um sol de prontidão. Ela tinha um sol a seu dispor.
As tiras banharam-se no papado de arroz. Então o vinho, que já aguardava aberto sobre a mesa, tingiu o vidro da taça até a porção de cima. Ela colocou o único prato sobre a mesa e se serviu.
Nenhum vento poderia mesmo arrefecer-lhe o coração. Era um encontro de amor.







“É sempre verão para quem nasce em dezembro. Senão, ao menos para quem nasce em sagitário, há sempre um sol de prontidão.” <– Que lindo!
Eu perco o meu sol. Mas que bom ter você (mesmo que no gtalk) pra apontar a direção da minha luz.
Meus olhos em água…
A emoção tomou conta de mim no meio de uma reunião… Segurei, engoli seco um gole d’água. Ainda bem que eu consigo prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo.
Respirei fundo, com os olhos e a alma sorrindo, feliz. Pra lá de feliz…
Respirei Plena, ao viver a cena descrita, sabendo de toda verdade e sensibilidade que há ali, e ao ver, finalmente, o Amor Verdadeiro, ao ver Deus, em cada detalhe que alcança os sentidos!
Simplesmente incrível…
Amo vocês! Profundamente!
Agradeço, em plena Paz.
Ive Yin
Ma-ra-vi-lho-so!! O maior encontro de amor deve ser primeiro consigo mesmo e com os pedacinhos de vida com que cruzamos a todo momento.