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nunca fui blogueiro, mas acho essa história de blog bacana. Quando crescer quero parar de trabalhar.

Crônicas

Exame: médico

Fora a brincadeirinha do título, fui mesmo a uma consulta médica. Dessas admissionais, em trabalhos novos. Não que me surpreendesse, mas não houve uma clínica pela qual passei ao longo dos meus dez anos de vida profissional, que não tivesse o mesmo ar de improviso. Mas seguiu-se que a atendente resolveu me ver, em pé, na sua frente:

— O senhor?

— Exame médico.

— Pode estar me emprestando o érregê?

— Pode estar aguardando que eu te chamo.

Então fui até o bebedouro, bebi água e me sentei na cadeira ao lado de uma senhorinha. E foi o tempo de sentir o almofadar da cadeira para a recepcionista me chamar. Como se eu não estivesse na frente dela, como se eu não tivesse acabado de falar com ela:

— Danilo Sanches?

— Seu érregê, senhor. Pode estar aguardando.

Então chegou um garotão desses bombados, que eu logo imaginei ter vindo fazer exame admissional para produtora de filme pornô. E saíram da salinha duas moças. Uma delas estava acompanhada da velhinha ao meu lado.

Quando o médico me chama.

Primeira à esquerda, segunda porta à direita. E uma bateria de perguntas sobre mazelas das mais diversas foi descarregada pelo doutor. A certa altura, de tanto dizer que não tinha nada daquilo, me senti quase constrangido a dizer que eu tive alguma artereoesclerose ou, quiçá, uma tal nefrofatia. Só pra não parecer chato ou deselegante.

“Porque será que exigem formação acadêmica para fazer um exame em que se faz dez ou doze perguntas, preenche-se um formulário e despacha?”, pensei eu, crente de que o doutor não fosse finalizar a sequência de desventuras com a surpreendente questão:

— Já fez exame de próstata?

— (suei) Não, senhor.

Seguiu-se um silêncio de três segundos e o médico levanta-se da cadeira e aponta para a maca.

Freeze.

Nesse instante, tudo o que já foi, em toda minha vida — em todas as minhas vidas — passou como um filme diante de meus olhos. Era então ali e naquela hora que eu me curvaria diante do “pai de todos”. Minha hora tinha chegado assim, sem avisar, sem protocolar pedido em três vias; por assim dizer, sem vaselina.

Minha vista escureceu, mas logo fui agraciado pela frase que se seguiu ao gesto:

— Sente-se ali na maca.

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Discussão

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  1. Ufa, mano. rs.

    Posted by Priscila Virginio | April 22, 2010, 23:48
  2. Mto bom! Huhauauhauhauhau

    Posted by Natasha | May 20, 2010, 17:02