Antes das 8h30 da manhã nada funciona na minha cabeça. Aliás, depois das oito e meia e antes das dez, raras coisas circulam com fluência por aqui. Mas estava em Campinas para resolver coisas burocráticas e batia 8h no relógio do carro. Então parei na padaria. Café seria o jeito.
Como tinha ido só assinar um documento, não me paramentei com nada além do pijama e um tênis. Podia ser tido como qualquer mendigo, sabia. Mas como bom sagitariano, ia ser objetivo, quase cirúrgico. Café e pão.
Então esperava o atendimento, quando chega um senhor atlético e bem vestido, com ganas de passar na minha frente. Nada de vidência, o sujeito deu dois passos ao meu lado e se enfiou entre o meu corpo sonolento e o balcão para pedir um “café de bule”.
Sou bom moço, bem criado. Considerei a pressa do rapaz. Mas o olhar dele não deu pra desconsiderar. Tinha desdém. Sem dizer nada, em plena manhã de quinta-feira, fez questão de me colocar no meu lugar, na minha posição de subalterno e incontestável admirador da posição social da qual ele gozava.
Se eu sequer tivesse um lugar nessa roda da fortuna, talvez até eu reconhecesse o desprezo, talvez ficasse até sentido. Mas pra ser bem direto — e me desculpem as senhoras, é que não gastarei minha retórica com coisas sem importância — eu estava cagando pra ele.
E ele tomou o café bem mais rápido que eu, ignorou o pedinte na porta da padaria entrou no carro e se foi. Mas antes disso ele fez questão de me dizer quem era. Sacou o telefone como quem sacava um Startac em meados da década de 90, e disse para quem quisesse ouvir:
— Bom dia. Me chama o Otávio, por favor. É o Luisão da Fênix.
Bem, se eu soubesse de antemão que era ele, o Luisão da Fênix, talvez eu tivesse esperado na porta. Ou nem ido à padaria. Homens de porte merecem respeito.







Po mano, cê conhece o Luisão da Fênix? Tá tirano…
Fala pra esse cu de ampola pagar o que me deve senão eu pego ele e aquela putinha do Rogerio.
E o Otávio.