Desde que pensei em me despedir, pensei também em comprar um pijama. Não como os da minha namorada, desses de flanela com desenhos sutis e cara de boa noite. Não, um pijama simples, com cores pastéis e talvez algumas listras. Talvez assim retomasse minha feição de homem sério, uma vez que me despedi. Sim, me despedi da rotina das oito às seis. Pedi as contas, como dizem, dei balão geral, pulei fora, zarpei, tranquei a porta pelo outro lado.
E retomar a seriedade é caso sério. A gente se culpa, se sente menor, tem insônia… quase os mesmos desconfortos de uma rotina regular de trabalho. A diferença são os olhos dos outros. E, como predisse a Rita — no disco de vinil que se perdeu na baldeação das coisas para a casa nova — “um belo dia resolvi mudar e fazer tudo que eu queria fazer”: viver esta vida semiletrada de escritor.
E a comemoração pedia algo como um brinde à nova rotina. Então comprei meu terno de frilancer: um pijama de algodão com cara de dias frios. Pijamas são bem mais que roupas de dormir, se é que a senhora me entende. São como o status de ocupado no MSN: você atende quem quiser, como quiser. Se for importante, mandam e-mail.
E a coisa fluiu bem, fui me adaptando ao novo lifestyle e já andei me arvorando a cometer alguns abusos e combinações aleatórias. Como na quinta à noite em que desci pra pegar a entrega no portão, certo de que o elevador estaria vazio como de costume — prédio de cinco andares, mais de dez e meia. Nem me preocupei em achar o chinelo; fui mesmo com a pantufa rosa da namorada…
Levanta a mão quem acha que o elevador estava cheio. Na ida e na volta.







hihihihi Massa, mano. Pagou de pantufinha rosa, então? Tô contigo nas escolhas. É nóis!!!