Rolava um boato de que o vinho era de produção caseira. Sem agrotóxico. Mas ninguém passava o limite do cochicho. Decerto todos já sabiam, mas continuavam as apresentações no palco que tinha uma janela e um piano como rotunda.
Antes, tinha conversado sobre corrupção com um amigo que encontrei. Papo de bêbado, mesmo ainda não tendo provado o tal vinho. Até então só tinha rodeado a mesa no fundo da salinha, onde ficavam os comes. No palco, do lado oposto, instalava-se um genuíno sarau e um carinha abraçava o violão como a uma dama de pele macia e pescoço cheiroso. Tinha música boa, gente fazendo arte, mas ninguém tomou a palavra pra apresentar aquele vinho da garrafa sem rótulo.
Mesmo os vinhos vira-lata têm seu prestígio. A seu modo, mas sempre tem um engraçadão que pede Chapinha, em voz alta, com sotaque francês e dispersa toda aquela atmosfera que talvez pairasse sobre a qualidade da bebida. Mas não era o caso. O garrafão imperava silencioso e anônimo, talvez sem agrotóxico, talvez feito por um modo de produção que desafiasse os paradigmas da produção em série.
E, no palco, anônimos desafiavam a arte viciada.
Enólico, declamei o meu poema e fui embora feliz de um evento sem rótulo, provavelmente sem agrotóxicos e sabendo que se quisesse mais uma taça, não encontraria no supermercado.







Ei, nem fui convidado! Risos.
VoCê não merece. Haha.
hm. hope to see same more info. Can we speake about it?